Fim. O nome da turnê que MJ estaria iniciando, em Londres, 8 de junho, adiada para o dia 13 de junho, batizada “This is it” significa, literalmente: acabou: The End. MJ será enterrado no cemitério de Forest Lawn, depois – tudo indica - descansará em sua Neverland, a duas horas e meia de LA.
Como seu sogro Elvis, renderá mais morto que vivo. (O espólio de Elvis rende milhões, é administrado por Priscilla Presley e a filha, esposa N* 1 de MJ, Lisa-Marie). Na morte da mãe de MJ, os netos ficarão sob tutela de Diana Ross (Debbie Rowe, esposa N* 2, mãe de Paris e de Prince, não foi à homenagem póstuma).
O menor, Blanket – cobertor, assim chamado porque MJ obrigava os filhos a se cobrir da mídia com pano no rosto – é adotado. Daddy MJ já tinha alugado uma casa na Inglaterra e ia levar a prole para lá. “Era a primeira vez que eles, maiorzinhos, iam perceber o enorme talento do pai”, disse um amigo.
A guerra na Justiça renderá um novelão nos próximos meses. Montam a US$ 500 milhões, segundo o Wall Street Journal, as dívidas do cantor, que gastava US$ 35 milhões por ano e nos últimos tempos tinha uma entrada de US$ 11 milhões. Segundo um de seus empregados, ele desembolsou mais de US$ 30 milhões em acordos por baixo do pano para não ser processado por pedofilia, um dos segredos que leva consigo, perturba sua aura e mexe com todos que o admiram.
Seu sucesso, desde o Jackson Five, influenciou o que hoje se chama de the browning – ou “amorenamento” - dos EUA. (Conversei com o grafiteiro e urban wear designer Marc Ecko sobre esse assunto, durante nossa entrevista na semana passada). Esse movimento de cunho sociológico profundo e abrangente abriu caminho para os direitos dos negros americanos e ao sucesso de nomes como Magic Johnson, Tiger Woods, Oprah Winfrey e tantos outros, culminando na eleição do presidente Obama – que estava viajando. Mandela mandou uma carta linda, mas nada dos Obama foi lido na homenagem... Coisas que só a política explica...
MJ começou a cantar aos cinco anos, no cafundó do Judas, em Gary, Indianna, onde nasceu. Bêbado, mulherengo e déspota, o pai Jo, empunhava e – sentava no couro dos filhotes - uma cinta para obrigar aos seus cinco canarinhos a exaustivos ensaios diários. Jo apostava em Jermaine como o vocal da turminha, mas foi a mãe, Katherine, contava MJ, quem percebeu que o rouxinol era o menorzinho. O sucesso chegou rápido. Em 1966, dois anos antes do assassinato de Martin Luther King e de Bobby Kennedy, aos oito anos, pobre e sem figurino, emplacou seu primeiro disco single, “Big Boy”. Mas o swing e o talento natos já estavam ali (veja no You Tube).
Por que Michelle não foi? Não pega bem ao presidente ficar associado a um “pedófilo”? A um negro que embranqueceu? Está na Constitution, segundo lembrou a representante do Texas (terra do Bush), Sheila Jackson Lee, com toda verve e negritude, que todo cidadão é inocente até ser provado culpado. Afinal o caro adeus marcou mais pontos positivos para a Black America que o elegeu, Mr. Prez, e custou aos cofres públicos - em especial ao da falida Califórnia, do republicano Schwarzenegger -, US$ 4 milhões em logística (impecável) e 4 mil policiais, 1/3 da segurança de LA. “Isso só ocorreu em 1984, nas Olimpíadas de LA”, disse um oficial da LAPD para que MJ fosse enterrado em um caixão majestoso – “engalonado” ao estilo das roupas de MJ - de US$ 25 mil e ouro de 14 quilates. That´s Entertaiment!
mundo, a indústria fonográfica e, principalmente grandes momentos de nossas vidinhas não teriam sido presenteados com 40 anos do swing admirável do perfeccionista, contraditório, polêmico, lunático, trágico e magnífico Michael Jackson (1958-2009)? Difícil dizer...
fim
(É uma honra ter um texto de Cynthia Garcia, uma das melhores jornalistas do Brasil, especialmente para o blog.)



